Outros papos

Published on junho 3rd, 2018 | by Ana

2

Entrevista: Laura Conrado e Marina Carvalho, de ‘Literalmente amigas’

O livro “Literalmente Amigas” conta a história de duas amigas que mantêm um blog sobre uma paixão em comum, a literatura. Mas de repente, as jovens acabam na disputa por uma vaga de emprego em uma grande editora. Curiosas sobre a obra, entrevistamos as autoras Laura Conrado, de “Freud, me tira dessa!”, e Marina Carvalho, de “O amor nos tempos do ouro”. Como a própria Laura diz nesta entrevista, “a literatura proporciona algo incrível: a empatia”. É verdade, mas dessa vez, “nos colocar no lugar das protagonistas” foi ainda mais fácil.

Como surgiu a ideia de escreverem juntas e desse livro?

Laura: Em 2016, participamos da Bienal do Livro de São Paulo juntas. Durante o almoço, falamos muito, claro, de livros e ideias que tínhamos para nossas carreiras. No trajeto de volta até o hotel, falamos sobre a possibilidade de escrevermos algo juntas, mas não histórias distintas dentro de uma mesma publicação. Queríamos escrever a mesma narrativa, mas alternando os pontos de vista. Rapidamente saiu a ideia de duas amigas apaixonadas por livros e o título.

Como vocês dividiam a escrita e como ficavam em contato?

Laura: Em 2016, estávamos empenhadas em concluir os (nossos) originais em andamento. Assim que terminamos, retomamos a ideia conjunta. Em janeiro de 2017, acertamos a premissa e as nossas personagens. A Marina me mandou até uma imagem da internet de como seria a personagem dela, ela sempre faz isso! Como fui eu quem comecei a história, pela Gabi, me ajudou bastante a contextualizar. Então, mandei minha parte do primeiro capítulo, e ela respondeu com a parte dela. E fomos assim: combinávamos por áudios as principais marcações e para onde a história principal deveria andar, mas tínhamos liberdade para criar histórias paralelas para nossas personagens. Foi um processo muito simples, fluiu com muita naturalidade e quando percebemos, a história estava pronta!

Laura, você desenvolveu as “Três Mosqueteiras” no livro “Heroínas” (em pré-venda). Achamos isso o máximo, assim como o fato da Gabi, de “Literalmente Amigas”, ser uma super torcedora de futebol e participar de um coletivo feminista. Para você, qual a importância de mostrar protagonistas tão fortes e engajadas?

Laura: É quase impossível não nos colocarmos um pouco no que criamos. Assim, compor personagens que buscam o protagonismo de suas próprias vidas é bem natural, porque é um processo meu e das mulheres que tenho como referências. Nosso contexto está mudando, mais informação está chegando às novas gerações, mas vejo que isso também gerou polaridades no discurso e uma onda de retrocesso por parte de pessoas que não querem reconhecer seus privilégios e mudar. A literatura proporciona algo incrível: a empatia. Quando estamos lendo algo, nós nos entregamos e nos sentimos na pele das personagens. Acredito que inserir essas personagens colabora para que as leitoras sintam que elas também podem escrever suas histórias, ter suas experiências e viverem seus sonhos. A liberdade que se tem na ficção também pode ser conquistada na realidade.

Marina, o “Literalmente Amigas” é o seu décimo livro publicado. Que diferença você sentiu entre escrever sozinha e em parceria com a Laura?

Marina: Escrever sozinha é um ato cuja responsabilidade de condução do enredo é apenas minha. Tempo de escrita, planejamento, mudanças e acréscimos na história, tudo isso faz parte de escolhas pessoais. Quando se divide o texto com alguém, existe uma outra cabeça pensante que deve ser ouvida e respeitada. Então, todas as ações passam a ser compartilhadas, o que pode ser um dificultador do processo. Porém, durante o período em que a Laura e eu escrevemos “Literalmente Amigas”, vivenciamos um equilíbrio delicioso. A rotina da escrita mudou, claro, mas o resultado foi surpreendente.

Conta para a gente: vocês chegaram a discordar em algum momento sobre cenas ou rumos da história? Se sim, como resolveram?

Marina: Tudo fluiu de maneira tão natural e democrática que não, acredita? Havia pontos de vista pessoais, mas nós duas sempre levamos as discussões numa direção positiva para ambos os lados. Conversávamos até que estivéssemos igualmente de acordo sobre as decisões tomadas. Fico admirada até hoje com esse desenvolvimento assim tão fácil.

Marina, como foi criar a Lívia, uma personagem envolvida no mercado editorial? O seu conhecimento sobre o universo ajudou?

Marina: A Lívia já estava pronta na minha cabeça antes mesmo de eu começar a escrever. Eu sabia tudo sobre ela, do físico ao jeito de viver a vida. Como me identifico com várias de suas ações e pensamentos, achei tranquilo conduzir a personagem. Sobre o conhecimento do mercado editorial, esses anos convivendo com editores e agentes serviram para embasar o contexto que simulei para a Lívia. Claro que há muitas licenças “poéticas”, mas muito do que criei saiu dessa bagagem acumulada ao longo da relação com pessoas do universo literário.

As protagonistas de “Literalmente amigas” escrevem suas opiniões em um blog. Vocês também acompanham blogs literários? O que é legal dessa proximidade com os leitores? Por outro lado, já passaram por alguma situação chata com uma crítica?

Laura e Marina: A gente acompanha alguns blogs para saber dos lançamentos e das tendências do mercado editorial. É legal esse espaço para emitir impressões de leituras, com respeito ao trabalho de outra pessoa. A internet possibilita uma resposta quase imediata com os leitores e às vezes de locais onde iríamos demorar muito para chegar com o livro – ou talvez nem chegar! Nesse sentido, é maravilhoso. Isso vem com um outro lado também, de estar exposto a todo tipo de comentário, mas aceitamos as divergências numa boa, e, até hoje, somamos inúmeros retornos repletos de carinho e de identificação com nossas obras.

Queremos saber se as personagens de “Literalmente amigas” são parecidas com vocês. O que cada uma poderia dizer que tem mais da sua protagonista?

Laura: Acho que sou um pouco avoada como a Gabi. Eu começo a fazer algo e me perco em pensamentos e em distrações. A “Gabilândia” foi um pouco inspirada no meu mundinho que é fantástico, mas onde creio que tudo é real, como ETs! Também acho que compartilho a criatividade, a vontade de viver e ser feliz e a espontaneidade. Além, claro, do time do coração, o Atlético Mineiro.

Marina: Faço muitos planos, como a Lívia, e tento colocar no papel tudo o que traço, para ter um ponto de partida bem delineado. Como minha personagem, adoro a literatura de uma maneira bem ampla e eclética e procuro acreditar no potencial das pessoas, especialmente no daquelas que ainda não conseguiram visibilidade. E meu time de coração é o Cruzeiro, embora prefira vôlei a futebol, igual à Lívia, né?

E agora, falando de outras obras… estamos curiosas sobre qual o livro que vocês mais gostam uma da outra.

Laura: Ah, eu gosto de todos, mas acho que “O amor nos tempos do ouro” foi um marco na carreira dela, e ficou uma belíssima história, muito bem construída e bem escrita.

Marina: Já li todos os livros da Laura, mas eu adorei “Na minha onda”, que registra bem a diversidade cultural do nosso país e exalta as qualidades das pessoas, mesmo quando elas mesmas não as enxergam.

Para encerrar, tirando a Laura e a Marina (risos), com quem seria um sonho escrever outro livro em parceria?

Laura: hahaha Dos autores vivos de que gosto (os únicos viáveis para essa proposta, né?), adoraria escrever com a Sophie Kinsella, fazemos uma literatura parecida, e acho os livros dela o máximo. No Brasil, eu adoraria trabalhar com as colegas escritoras Thalita Rebouças, Paula Pimenta, Iris Figueiredo e várias outras. (Passa um e-mail, gente!)

Marina: Ah, eu adoraria escrever a quatro mãos com tanta gente! Pensando na literatura bem juvenil, seria um barato formar parceria com Meg Cabot. Também me vejo (olha que pretensiosa!) escrevendo com Lisa Kleypas e Tessa Dare, principalmente histórias de época. No Brasil? Hum… Todas as colegas seriam muito bem-vindas.

Tags: , , , , ,


About the Author



2 Responses to Entrevista: Laura Conrado e Marina Carvalho, de ‘Literalmente amigas’

  1. Pingback: ‘Literalmente amigas’, de Laura Conrado e Marina Carvalho – Cuida Bem do Meu Livro

  2. Pingback: ‘Amor nos tempos do ouro’, de Marina Carvalho – Cuida Bem do Meu Livro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑

Gostou do nosso conteúdo? Nos acompanhe nas redes sociais!

  • Facebook
  • Instagram
  • SOCIALICON