Livro em sete dias

Published on junho 19th, 2018 | by Ana

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‘Todas as coisas belas’, de Matthew Quick

Aqui é a Ana e eu li, nesta semana, a primeira edição de “Todas as coisas belas”. O livro foi lançado em abril e nós recebemos da editora Intrínseca. Já tinha uma boa experiência com o autor (Matthew Quick, também de “O lado bom da vida) e confirmei que ele deve saber escrever sobre tudo, pois mesmo em um capítulo (e não o livro todo. é sério, acontece bastante coisa) de completo marasmo ou sem uma protagonista muito carismática, a gente segue em frente (e lê até bem rápido). Um pouco ainda confusa sobre algumas opiniões, procuro amizades sinceras para trocar pensamentos.

Sinopse: Aos 18 anos, Nanette O’Hare é a típica boa garota. No fundo, porém, ela nunca se sentiu realmente parte do grupo, sufocando em um permanente desconforto com diversas atitudes das amigas e com os padrões sociais. Mas tudo muda quando, no último ano do colégio, ela ganha um livro de seu professor preferido, o clássico cult O ceifador de chicletes, e fica fascinada com a mensagem de que ela pode ser de fato quem é. Nanette se torna amiga do recluso autor e se apaixona por Alex, um jovem poeta que também é fã do livro. Encantada com esse novo mundo que se abre, ela se permite, pela primeira vez, tomar as próprias decisões. No entanto, aos poucos Nanette percebe que a liberdade pode ser um desejo arriscado e começa a se perguntar se a rebeldia não cobra um preço alto demais.

Julgamos o livro pelo título e pela capa: Acho os dois bem atrativos, mas depois de ler o livro, me incomodaram um pouco. Talvez eu estivesse muito melancólica (haha).

Sobre o autor: Matthew Quick é um autor que eu já conhecia. Li e assisti “O lado bom da vida”, que tem uma das frases de livro mais importantes para mim. Eu gosto de como ele fala de de uma forma que até parece que uma hora vai cansar… e não cansa. 

Protagonista: Nanette é uma protagonista difícil de acompanhar: às vezes muito passional, às vezes até fria. Na maior parte do tempo, guiada por seus problemas, me surpreendeu ao ser tão perspicaz na análise que começa a fazer, sozinha, de Alex. Não a considero carismática, mas senti dó da falta de atenção disponível a ela (e em alguns atitudes, achei a menina injusta).

Coadjuvantes: Esta história é feita de pessoas (em alguma medida doentes) que querem sumir com os problemas e não necessariamente resolvê-los, e por isso se satisfazem quando tudo “parece” melhor. Na narração de Oliver sobre como (ou melhor, quando) um professor tenta ajudá-lo (não vou contar nada, mas foi um dos exemplos mais profundos para mim), reconheço outros coadjuvantes. Por fim, destaco como contrapontos a eles a psicóloga e o policial, que foram meus amigos durante o livro.

Trama: “Todas as coisas belas” é cheia de reviravoltas (até na linguagem; sacada que é um dos méritos do autor, aliás). Elas me fizeram gostar e desgostar da história algumas vezes. Em geral, porém, a obra é marcada por uma melancolia e chamados à reflexão.  Devo ter lido tudo em umas cinco horas separadas por grandes intervalos (forçados pela minha rotina),  e fechei o livro com uma incerteza que não posso explicar sem spoilers (rs). 

Ponto forte: A construção do Alex e a sua desconstrução são bem ritmadas e importantes. Na maioria dos livros que li sobre juventude, o anseio pela liberdade sempre foi apresentada como algo quase integralmente sadia. O personagem e a abordagem dela nesta história, no entanto, mostram a questão de forma um pouco mais complexa, como é de fato. 

Um livro para: discutir com os amigos sobre (me chamem, por favor).


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