Livro em sete dias

Published on junho 21st, 2018 | by Ana

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‘Amor nos tempos do ouro’, de Marina Carvalho

A Marina Carvalho foi quem me revelou (em uma entrevista do Malucas por Romance, leia aqui) que existe diferença entre romance “histórico e de época”: “O primeiro insere elementos da História, reais, verossímeis, ao contexto, trabalhando em conjunto a realidade e a ficção. (…) Já o texto de época trata mais de um enredo contextualizado no passado, sem preocupação com os fatos”. Se não fez sentido para você, minha recomendação é o romance histórico  “Amor nos tempos do ouro”. Você vai entender.

Escolhi falar deste livro no nosso segundo #TBT em clima de Copa, pois foi a primeira obra que li da Marina Carvalho. E, ah, já entrevistamos ela sobre o lançamento de “Literalmente Amigas”, escrito em parceria com a Laura Conrado (confira neste link).

Sinopse: Cécile Lavigne é uma franco-portuguesa que veio ao Brasil consolidar um casamento arranjado com um aristocrata de Minas Gerais, dono de terras e de escravos, bem mais velho do que ela, e por quem sente profundo desprezo. Enquanto lida com o turbilhão de sentimentos que a desequilibra, ela viverá diversas provações nessa nova terra que será sua casa, e talvez se entregue a um grande amor.

Julgamos o livro pelo título e pela capa: Mergulhei na história já pelo título e pela capa clássicos.

Sobre o autor: Desconfio que Marina seja uma autora muito esforçada, daquelas que evita usar palavras repetidas em todas as frases e caça novas. Se não for, mérito da edição, aliás. Mas Marina também parece procurar lugares diferentes para percorrer a cada livro e estudar sobre os ambientes (e séculos, neste caso) em que as histórias acontecem.

Protagonista: Eu amo mulheres fortes e a Cécile é assim. Em alguns momentos em que suas atitudes trariam apenas benefício pessoal, no entanto, ela resolve retroceder um pouco e evitar outros desgastes – o que torna sua postura mais verossímil para a época.

Coadjuvantes: Marina consegue explorar bem os personagens secundários, alguns dos quais nos surpreendem durante o livro. Fiquei com vontade de conhecer o escravo Akin a fundo. Já a história de Malikah eu creio que seja mais desenvolvida no segundo livro, e estou ansiosa (/atrasada) para ler. 

Trama: Apesar do casamento forçado ser um problema clichê em romances de época ou históricos, nem sempre o esposo é realmente odiável. Neste caso, é. E a situação de total abandono de Cécile me fez ter ainda mais compaixão dela. A trama, muito bem construída neste livro, não trata os problemas que ela enfrenta como acasos do destino apenas. São apresentados como problemas sociais da época, ancorados no machismo. O racismo também está em pauta, é claro, na fazenda mantida por escravos e na narração das crueldades a que os negros são submetidos. Impossível não se envolver e torcer por finais felizes.

Ponto forte: A contextualização histórica, com certeza.

Um livro para: torcer por muitos finais felizes (repito).


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