Livro em sete dias

Published on junho 26th, 2018 | by Ana

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‘Quinze dias’, de Vitor Martins

Na Semana do Orgulho LGBTI+, dediquei meus sete dias a ler uma história nacional escrita pelo Vitor Martins (que entrevistamos aqui) e protagonizada por Felipe, um garoto gordo e gay. “Quinze dias” (da Globo Alt) não foi a minha primeira leitura de romance que foge ao padrão hétero, mas se você nunca teve acesso a livros com diversidade, pode ser a sua estreia. Eu super recomendo.

Sinopse:  Felipe está esperando por esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai colocar em prática. Mas as coisas fogem um pouco do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele estão viajando. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

Julgamos o livro pelo título e pela capa: Uma curiosidade é que a capa foi feita pelo próprio autor do livro, o Vitor Martins. Eu gosto do trabalho, da fonte usada para o título (que foge do clichê) e dos tons pasteis.

Sobre o autor: É delicioso e rápido ler “Quinze dias”. O texto do Vitor é muito fluido, cheio de referências atuais e de um passado recente muito conhecidas dos jovens de hoje. Acho que elas contam um pouco sobre ele então, e é difícil não querer ter uma amizade sincera com esse autor. 

Protagonista: O Felipe é um protagonista incrível e carismático. Cheio de questões comuns a diversos adolescentes, mas nunca chato. Conta com o super apoio da mãe, mas não é mimado. Na verdade, mesmo com todas as suas limitações, eu o acho bem maduro e divertido, principalmente fazendo pesquisas no Google e exagerando em algumas reações.

Coadjuvantes: O grupo de coadjuvantes que compõe esta história é muito importante. Beca e Mel fazem o contraposto necessário para quebrar alguns esteriótipos reproduzidos por Felipe, Caio representa, na maior parte do tempo, todos os garotos com quem gostaríamos de formar uma família, e a tia Rita (posso te chamar de tia?) é a base para toda a trama se dar desta forma.

Trama: Como acompanhamos a história do ponto de vista do Felipe, que (muito por conta da tia Rita) lida bem com a sua homossexualidade, ele nos conta mais suas inseguranças e problemas enfrentados como um garoto gordo. É uma trama importante, que promove reflexão e empatia. Mas, apesar de tratar de temas sérios, o ambiente criado para a história é super divertido (culpa da Rita), com tantas tradições inventadas para ter dias da semana mais animados. O romance, por fim, funciona bem e cativa, pois é, como para quaisquer apaixonados adolescentes, simples e complicado, ao mesmo tempo.

Ponto forte: Tia Rita. Afinal, não haveria nem Caio na casa de Felipe, se ela não tivesse ajudado.

Um livro para: renovar a fé no poder transformador do amor.

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One Response to ‘Quinze dias’, de Vitor Martins

  1. Pingback: No caminho do respeito à diversidade: livros com protagonistas LGBTI+ – Cuida Bem do Meu Livro

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