Lendo no caminho

Published on julho 1st, 2018 | by Ana

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No caminho do respeito à diversidade: livros com protagonistas LGBTI+

Nesta semana, em comemoração ao dia do Orgulho LGBTI+, o “Cuida bem do meu livro” preparou alguns conteúdos especiais sobre o tema. Na segunda-feira, publicamos entrevista com o autor gay Vitor Martins, de “Quinze dias”, além da resenha do mesmo livro, na terça-feira, e de “Garoto encontra Garoto“, do David Levithan, na última quinta. E para encerrar (por hora) a série, pedimos às editoras sugestões de outros livros que tratam sobre a diversidade sexual.

Organizamos, abaixo, 15 dicas, entre histórias para crianças e adultos. Tem outras sugestões? Manda para a gente!

  1. “Castelo de areia”, de Menalton Braff (Editora Moderna) – A paixão entre dois rapazes serve de pano de fundo para discutir a existência das diferenças, da importância do respeito e da tolerância na adolescência. No enredo, Ricardo é um garoto que acaba de chegar a uma cidade do interior e inicia uma amizade com Arnaldo, seu colega de sala. Entre tardes de estudo e companhia nas mais diversas atividades, um deles acaba descobrindo uma paixão avassaladora pelo amigo e não sabe o que fazer para se declarar.
  2. “Meus dois pais”, de Walcyr Carrasco (Editora Moderna) – O enredo, para o público infantil, circunda acontecimentos e sentimentos de Naldo, um garoto que, de uma hora para a outra, precisa lidar com a descoberta da homossexualidade de seu pai. Desconcertado com o fato e também com as reações decorrentes dessa revelação, o menino vive uma série de conflitos até compreender, entre outras coisas, que o amor paterno sobrepõe qualquer divergência.
  3. “Um milhão de finais felizes”, de Vitor Martins (Globo Alt) – Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.
  4. “Moletom”, de Julio Azevedo (Globo Alt) – O protagonista, Pedro, está fugindo de algo. Ele acaba de chegar em uma nova cidade, onde ficará hospedado na casa da tia por algum tempo, e essa mudança representa para ele um recomeço, um escape de algo que está causando uma grande angústia. Assim que chega a esse novo ambiente, no entanto, ele conhece Lucas, um garoto que despertará exatamente os sentimentos que ele estava tentando evitar.
  5. “O fim de Eddy”, de Édouard Louis (Tusquets) – A autoficção retrata os abusos homofóbicos sofridos por Eddy Bellegueule no vilarejo de Hallencourt, comunidade na qual o cotidiano se estrutura em torno de uma classe trabalhadora sem muitas opções para além das fábricas e dos caixas de supermercado. Nesse ambiente, a masculinidade e a agressividade são palavras sinônimas. Ser homem é falar alto, ser corpulento, arrumar brigas em bares, gostar de futebol, esconder sentimentos e ser alcoólatra. Desde os primeiros anos de vida, entretanto, Eddy não demostrava as características para ser um durão. Marcado por trejeitos – que insistiam em aparecer na voz suave e nos gestos ansiosos – o menino foi estigmatizado com todo tipo de termos pejorativos. Diante de várias tentativas falhas de se adequar ao papel masculino imposto, ele assumia que era sua própria culpa.
  6. “Uma vida pequena”, de Hanya Yanagihara (Record) – O romance acompanha, por décadas, as trajetórias de quatro homens e amigos: Willem, um aspirante a ator muito bonito e generoso, mas com problemas de autoestima; JB, um pintor descolado que pode ser um tanto cruel e manipulador; Malcolm, um arquiteto frustrado e, de certa forma, oprimido pela fortuna dos pais; e Jude, um advogado brilhante e enigmático. Este último funciona como espécie de elo entre os outros protagonistas, além de dono de um terrível trauma de infância, atormentado pela angústia e com dificuldades de seguir em frente. A autora fala, sem poupar o leitor, sobre dor, memória e tragédia, mas também faz uma bela observação sobre a amizade entre homens.
  7. “Todo dia”, de David Levithan (Record) – Toda manhã, “A” acorda em um corpo diferente, em uma vida diferente. Não há qualquer aviso sobre quem será ou onde estará em seguida. De menina a menino, rebelde a certinho, tímido a popular, saudável a doente; “A” precisa se adaptar. Ele já se acostumou com isso e até criou algumas regras para si mesmo. Primeira: nunca se apegar; segunda: jamais interferir. E tudo corre bem… até que “A” desperta no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon.  A partir desse momento, as regras pelas quais tem vivido não fazem mais sentido. Porque, finalmente, “A” encontrou alguém com quem quer ficar; dia após dia, todo dia. Enquanto lutam para se reencontrar a cada 24 horas, ambos precisam encarar seus próprios demônios, superar suas limitações e redefinir suas prioridades.
  8. “Will & Will – Um nome, um destino”, de John Green e David Levithan (Record) – Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra… Will Grayson. Além de dividirem o mesmo nome, os dois adolescentes dividem a dor do coração partido e tentam descobrir quem eles realmente são. Um Will é amigo do mais expansivo gay de sua escola, o outro precisa explicar à sua própria mãe sua orientação sexual.  O livro aborda temas atuais como depressão e aceitação (tanto dos outros quanto a si mesmo)  com extrema sensibilidade.
  9. “Dois garotos se beijando”, de David Levithan (Record) – “Vocês não têm como saber como é para nós agora; sempre estarão um passo atrás. Agradeçam por isso. Vocês não têm como saber como era para nós antes; sempre estarão um passo à frente. Agradeçam por isso também”. Essa é a principal mensagem dos narradores de “Dois garotos se beijando”, que representam a geração que morreu em decorrência da AIDS, nos anos 80. O livro é entrecortado entre a história de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a quebrar o recorde do beijo mais longo do mundo, e as falas dos narradores, que observam e se veem refletidos nos jovens que hoje têm mais liberdade para assumir sua sexualidade, longe da sombria ameaça de morte pela doença.
  10. “Além-mundos”, de Scott Westerfeld (Record) – São dois livros dentro de um: narra a história de uma jovem escritora e também sua primeira obra, alternando as histórias a cada capítulo. Darcy Patel tem apenas 18 anos e acabou de terminar o ensino médio, mas já está perto de realizar um de seus maiores sonhos. Ela escreveu seu primeiro livro em apenas um mês, conseguiu um contrato milionário com uma editora e decidiu mudar-se para Nova York para tentar realmente “acontecer” como escritora. A outra protagonista é Lizzie, a heroína do livro de Darcy, que precisa lidar com a recém-descoberta habilidade de transitar entre os mundos dos vivos e dos mortos.
  11. “George”, de Alex Gino (Record) –  Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Seu irmão mais velho desconfia que George é gay. George nem pensa em namoro ainda, mas sabe que é menina. É uma menina que gosta de colecionar revistas femininas e sonha com o dia em que poderá finalmente revelar seu segredo para todos. Até que um dia sua professora anuncia que a turma vai encenar “A menina e o porquinho”, uma de suas histórias preferidas, e George,  com a ajuda da melhor amiga Kelly, planeja fazer o papel da aranha que é protagonista da peça. Mas George vai ter que enfrentar a pressão da professora, da mãe e o bullying dos meninos da escola.
  12. “Me chame pelo seu nome”, de André Aciman (Intrínseca) – Há pelo menos quinze anos, o jovem Elio costuma passar os verões com a família em cenário convidativo, comparável ao paraíso, envolvido por uma rotina que inclui mergulhos na piscina, partidas de tênis, leituras e transcrições de música para o violão. A casa incrustada na Riviera italiana serve como residência literária para jovens escritores, comprometidos em revisar manuscritos e que, em retribuição à boa acolhida, ajudam seu pai, professor universitário, a organizar correspondências e papeladas. O escolhido dessa temporada é Oliver — um norte-americano atraente e evasivo, com quem Elio vive um romance intenso. O livro deu origem ao filme dirigido por Luca Guadagnino.
  13. “Com amor, Simon”, de Becky Albertally (Intrínseca) – Desde que foi lançado nos Estados Unidos, em 2015, “Simon vs. a agenda Homo sapiens” se tornou um fenômeno entre os leitores jovens. A história ganhou novo título com o lançamento, em março deste ano, de sua adaptação para o cinema. Simon Spier, um adolescente gay de 16 anos, não consegue achar o melhor momento para contar aos amigos e à família sobre essa parte  tão importante de sua vida. Tudo se torna mais complicado quando um de seus colegas de escola, Martin, descobre que ele anda trocando e-mails com Blue, um menino cuja verdadeira identidade ele desconhece, mas por quem sente que está se apaixonando. Para evitar que seu segredo seja exposto, Simon decide ceder à chantagem de Martin, enquanto continua mandando mensagens para o garoto que vem ocupando seus pensamentos.
  14. “Apenas uma garota”, de  Meredith Russo (Intrínseca) – Quando Amanda Hardy muda de cidade, tudo que ela deseja é viver como qualquer outra garota. Em uma nova escola e agora morando com o pai, que não via há anos, ela se esforça para fazer amigos e tentar se misturar. O problema é que a menina precisa aprender a lidar com muito mais que uma casa nova ou pessoas diferentes: esta é finalmente sua chance de começar do zero, já que Amanda viveu boa parte da vida como um menino. Este é o primeiro romance sobre uma adolescente transexual escrito por uma mulher trans.
  15. “Olívia tem dois papais”, de Márcia Leite (Companhia das Letrinhas) – Olívia é uma menina esperta, que sabe bem o que quer e tem plena noção de como usar algumas palavras para conseguir o que deseja. Diz que está “entediada” para que papai Raul brinque com ela de filhinho e mamãe ou com bonecas.  Fala que está “desfalecendo” de fome, para papai Luís cozinhar para a família. “Intrigante” é outra palavra de que Olívia gosta muito, e ela quer saber, por exemplo, como seus papais sabem brincar de boneca ou cozinhar tão bem. E como vai aprender a usar maquiagem e sapatos de salto alto, se na casa dela não mora nenhuma mulher. A família da Olívia é um pouco diferente, e totalmente “encantadora”, outra palavra que ela adora usar.


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