Livro em sete dias

Published on julho 8th, 2018 | by Ana

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‘Todo dia’, de David Levithan

Nesta segunda leitura compartilhada, lemos “Todo dia”, do David Levithan (Record, 9ª edição). A história foi publicada pela primeira vez no Brasil em 2012 e tiramos o atraso para ver o filme no cinema sem culpa. A produção estreia neste mês. Estão animados?

Sinopse: “Todo dia sou uma pessoa diferente. Eu sou eu, sei que sou. Mas também sou outra pessoa. Sempre foi assim.” Toda manhã, “A” acorda em um corpo diferente, em uma vida diferente. Não há qualquer aviso sobre quem será ou onde estará em seguida. De menina a menino, rebelde a certinho, tímido a popular, saudável a doente; “A” precisa se adaptar. Ele já se acostumou com isso e até criou algumas regras para si mesmo. Primeira: nunca se apegar; segunda: jamais interferir. E tudo corre bem… até que “A” desperta no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon.
A partir desse momento, as regras pelas quais tem vivido não fazem mais sentido. Porque, finalmente, “A” encontrou alguém com quem quer ficar; dia após dia, todo dia. Mas como esperar que uma pessoa que sempre viveu uma vida normal possa entender a realidade de “A”? Ou até mesmo acreditar nela?  Enquanto lutam para se reencontrar a cada 24 horas, ambos precisam enfrentar seus próprios demônios, superar suas limitações e redefinir suas prioridades. Rhiannon conseguirá ficar com alguém que muda a cada dia? E até onde “A” acha justo (ou ético) interferir nas vidas de quem habita? Mas, principalmente, o amor pode mesmo vencer qualquer barreira?

Julgamos o livro pelo título e pela capa

Ana: Apesar de simples, gosto da diagramação da sinopse na contracapa e o título chama minha atenção.

Marcela: Achei a edição muito bonita. O título não me chamou tanta atenção em um primeiro momento.

Autor

Ana: Li poucos livros do autor até hoje (“Garoto encontra garoto” e “Will e Will”, além deste) e achei todos super legais e bem diferentes entre eles. O Levithan traça com muita criatividade as histórias para demonstrar pontos tão básicos – por exemplo, que o amor independe de gênero -, embora ainda não compreendidos por todos.

Marcela: tinha expectativas altas, já que adorei “Garoto encontra garoto” e “Will e Will”. Acho o máximo sempre ter uma temática LGBT+.

Protagonista

Ana: “A” é (diferente de “está”) uma pessoa responsável. E “responsável” neste livro ganha um sentido mais amplo, já que “A” não precisa cuidar apenas da sua vida, mas também dos corpos que ocupa a cada dia. Ele abdica de inúmeras possibilidades, para não gerar mudanças nessas histórias. É verdade que “Todo dia” acompanha justamente um período em que ele está mais rebelde, porém suas emoções e as lembranças dos dias passados deixam claro que ele sente por isto. “A” é muito bacana. Impossível não se comover com sua condição de sempre estar “de passagem”.

Marcela: O protagonista é maravilhoso e, apesar das dificuldades ou talvez por causa delas, não perde a empatia, o caráter e a doçura.

Coadjuvantes

Ana: Rhiannon está a mercê de um relacionamento abusivo, dá murros em ponta de faca, e eu torci muito pela sua “liberdade”. Mas ela não é uma mocinha para um conto de fadas. Vive errando em relação a “A”: algumas vezes, compreendi, em outras, me irritei.

Marcela: Rhiannon foi o pé no chão de toda a história. Apesar de amar “A”, mostrava diversas inseguranças e se sentia incomodada com algumas aparências que ele assumiu. Foi uma maneira bacana de mostrar como todos nós estamos suscetíveis a sermos preconceituosos e como é um exercício diário deixar de se importar com o que os outros pensam.

Trama

Ana: Levinthan encontrou uma ótima maneira para tratar o amor  sem gênero e rótulos. Envolve já no início, a maioria das minhas perguntas foram respondidas no decorrer do livro, e as descrições das sensações de “A” em cada corpo me transportavam. Assim, podemos compartilhar da visão de mundo privilegiada de “A”: alguém que, por viver realidades tão diferentes todos os dias, percebe mais e se apega às semelhanças. O final, porém, ainda é uma questão para mim: não esperava outro destino para “A”, mas gostaria de ver Rhiannon crescer mais. A trama de suspense também me deixou um pouco na mão, mas não sei se vem mais material algum dia por aí.

Marcela: Uma história extremamente criativa, com um ótimo ritmo e personagens incríveis. A mensagem do livro é linda, mostrando como o amor não tem fórmulas e não se limita. No corpo de tantos adolescentes, A percebe como as pessoas se focam no 2% de diferenças entre elas, em vez de perceberem que têm 98% em comum. Por ter uma vida nova a cada dia, A valoriza cada momento e mostra a importância de fugir da rotina, já que temos uma vida completa. Na minha opinião, o mais interessante é que A não tem um gênero definido e, no decorrer da trama, fica tão claro que isso não faz a menor diferença. Uma mensagem tão importante e passada de forma inteligente.

Ponto forte

Ana: Os quotes que resumem a mensagem do livro. Queria colocá-los aqui, mas é spoiler, não é?

Marcela: O livro também é tocante por mostrar como diversas pessoas se relacionam, com suas famílias, amores e amigos

Um livro para

Marcela: … ter mais empatia.

Ana: …refletir e se identificar, apesar das diferenças.


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