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Published on agosto 13th, 2018 | by Marcela

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Livro dá trabalho: publicitária Heloiza Daou conta as estratégias de marketing para promover lançamentos

Trabalhar com marketing em uma editora requer jogo de cintura, já que é preciso lidar com leitores, livreiros e autores.  Em mais uma entrevista da série “Livro dá trabalho”, que reúne profissionais do mercado literário, a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou, conta como trabalha lado a lado com o setor editorial para definir as possibilidades de divulgação e o público-alvo de cada lançamento.  Além disso, ela e a equipe ainda precisam decidir estratégias para eventos, como a Bienal do Livro, e para as redes sociais, que transformaram o modelo tradicional de divulgação das obras literárias.

Heloiza é formada em publicidade pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e em artes cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio), trabalha há 12 anos no mercado editorial e foi eleita a Profissional de Marketing e de Vendas de 2016.

Oi, Heloiza. Tudo bem? Já sabemos que você trabalha há mais de 10 anos no mercado editorial. Mas podemos voltar um pouco no tempo, para saber como chegou aí e qual foi sua trajetória no ramo?

Olá, tudo bem? A história começa há alguns anos quando eu resolvi fazer duas faculdades, a de Artes cênicas e a Publicidade. Me dedicava muito mais às artes cênicas porque tinha algo na faculdade de publicidade que me incomodava: a ideia de se poder vender qualquer serviço ou produto, mesmo se ele não prestasse. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no mercado editorial eu resolvi essa questão na minha cabeça. Pensei que mesmo se fosse um livro muito ruim ainda seria um livro, ainda seria uma leitura boa para alguém. Assim, comecei o estágio no Grupo Editorial Record, onde fiquei por cinco anos, primeiro como estagiária, depois como analista e depois como coordenadora de marketing.

Em 2010, surgiu a oportunidade de assumir o marketing da Intrínseca e construir o departamento. São sete anos e meio até agora de bastante trabalho, montado dia após dia no detalhe.

Hoje, quais são as suas responsabilidades como gerente de marketing da editora?

Dentro do departamento de marketing atendemos diferentes públicos: leitor, livreiros e autores. O trabalho é comunicar para esses diferentes públicos por meio das campanhas de marketing de cada livro feitas online e offline. Cuidamos da organização e produção de todo o material de divulgação: do briefing ao vídeo final para o Youtube ou o material especial para vitrines nas lojas. Além disso, o marketing também é responsável pelos eventos e feiras, como a Bienal do Livro, por exemplo.

E pode nos apresentar a sua equipe de trabalho? Há subdivisões?

Claro! Eu sou responsável pelo departamento como gerente de marketing. Atualmente temos uma coordenadora de marketing, a Ana Slade, que trabalha coordenando o trabalho online e offline com os dois assistentes: Bruno Machado e Leticia Valecillo. Além disso, temos as estagiárias: Taila Lima, Marina Ginefra e Joyce Souza.

Como surgem as ideias e quais são as decisões que envolvem a divulgação de um determinado livro?

O processo aqui é feito muito em parceria com os outros departamentos, principalmente o editorial. Fazemos algumas reuniões em conjunto para discutir sobre enredo, possibilidades de divulgação e público-alvo.

Após, os assistentes junto com a coordenadora e estagiárias desenham o briefing da campanha inteira que deve impactar o leitor da maneira mais efetiva possível.

No cenário atual, com maior relevância dos blogs e redes sociais, o que é fundamental para atingir o público? As estratégias mudaram?

Cada vez mais acreditamos no poder das redes sociais e da internet que facilita o encontro dos leitores com o tipo de livro que gostam. Não tem como as estratégias não mudarem. E o que é difícil é que atualmente elas podem mudar a cada semana com o surgimento de novas plataformas, redes sociais, sites e novos negócios. A ideia aqui é tentar acompanhar essas inovações e utilizá-las da melhor maneira possível para encontrar o público dos nossos livros.

Por falar em internet, nós percebemos que a atuação da Intrínseca é bem forte no Instagram. Já vimos por lá fotos de livro com batata-frita, uma escala de romances, lencinhos e risadas para avaliar obras… O que cabe nessa rede?

No Instagram cabe muita coisa. Adoramos fazer cobertura de eventos por lá, postar vídeos e imagens de divulgação dos livros com uma pegada diferente, como a escala de lencinhos da Jojo e as fotos produzidas dos lançamentos, por exemplo. Acreditamos que a estética é importante nesta rede então prestamos atenção para termos um feed interessante, que aborda diversos assuntos e livros e com experiências diferentes.

Vimos no seu perfil do LinkedIn que você é “completamente apaixonada por livros, filmes e museus.” Qual a diferença (entre prós e contras) de trabalhar com um assunto relacionado a um dos seus passatempos?

Como tudo na vida é bom e ruim. É difícil separar quando um livro foge do meu interesse pessoal e é preciso trabalhá-lo com muito destaque. Ao mesmo tempo, é incrível quando um livro que não tem muito investimento encanta a equipe. As ideias surgem de maneira muito natural e as campanhas voam longe, atingindo um público que às vezes nem imaginávamos. Já a conexão com filmes, museus e a indústria do entretenimento é sempre boa. Encontramos público em comum e conseguimos cruzar interesses de universos maiores, como o do cinema, por exemplo, com o do livro.

Por outro lado, como é trabalhar (entre prós e contras) para um público tão apaixonado, como os leitores, que muitas vezes se organizam em fandoms?

Os leitores são sempre maravilhosos. Na grande maioria das vezes, sabem muito mais sobre a obra do que a gente. Eles nos ajudam, indicam caminhos, divulgam com vontade e tem todo o interesse do mundo para que aquele livro do coração deles atinja o maior número de pessoas possível. Essa troca e ajuda que a internet proporcionou nos últimos anos para mim é uma das revoluções mais incríveis para o mercado.

Poder conversar e convocar para trabalhar em conjunto os apaixonados pelo produto humaniza muito essa relação editora-leitor, transformando de vez o modelo tradicional de divulgação do livro, que antigamente precisava obrigatoriamente passar por uma livraria física.

Não sei se você pode nos contar, mas quais são seus livros e autores favoritos?

Tenho alguns livros do coração, como “Os miseráveis”, de Victor Hugo, “Aonde nascem os monstros”, de Maurice Sendak, além de todos de Gabriel García Márquez. De teatro todas as peças de Shakespeare, “A casa de bonecas”, de Henrik Ibsen e “Primeiro amor”, de Beckett. Nelson Rodrigues também é incrível. São muitos, fico sempre em dúvida. 🙂

Já dentro da Intrínseca tenho os livros que mais me marcaram. Seja pela experiência de leitura, e pela boa confusão do contato com autores que temos oportunidade de ter trabalhando aqui. São eles: “Extraordinário”, de RJ Palacio, “A culpa é das estrelas”, de John Green, “A visita cruel do tempo”, de Jennifer Egan e “Um dia”, de David Nicholls.

Você já conheceu algum através do seu trabalho? Como foi?

Sim. Tive a oportunidade de conhecer John Green na vinda dele ao Brasil para divulgar o filme de “Cidades de papel”. Ele é um cara sensacional, impressionante como gosta de atender ao público e faz isso bem. Jennifer Egan também veio ao Brasil para a FLIP, e foi incrível poder conversar com a autora que escreveu um livro vencedor do Pulitzer de ficção.

Mas nada foi tão incrível para mim do que conhecer o David Nicholls. Fiquei apaixonada pelo “Um dia” quando li para fazermos a campanha e, depois de alguns anos, tive a oportunidade de conhecê-lo na Feira de Frankurt. Levei meu exemplar da Intrínseca, fiquei muito nervosa mas consegui me apresentar. Dois anos depois ele veio ao Brasil e se mostrou um cara ainda mais incrível durante a Bienal do Livro, quando autografou de pé os livros das 300 pessoas que o aguardavam na fila.

Meu aniversário geralmente cai durante as bienais do livro, e tive a sorte do David Nicholls não só participar do meu parabéns, mas também assinar o meu cartão que ganhei de presente. Está emoldurado na minha casa, foi muito emocionante.

Para encerrar… Parabéns pelo Prêmio Especial Profissional de Marketing e de Vendas do Ano de 2016. Como foi ter esse reconhecimento? Quais ações que você considera que foram seus diferenciais?

Como disse no dia do prêmio, ninguém faz nada sozinho. Além de uma equipe muito dedicada, acredito que o departamento de marketing dentro de uma editora opera juntando as ideias de todos os departamentos e fazendo com que elas aconteçam dentro do que é possível. Saber ouvir o que a experiência dos outros diz, usar a criatividade e tentar encontrar novas oportunidades são as nossas metas diárias aqui dentro.

Acredito que uma das ações que liderei aqui dentro que trabalhou muito a marca da editora e trouxe um público novo foi a Turnê Intrínseca. Foram seis edições, durante seis anos viajando por todo o Brasil, em diferentes cidades, apresentando os lançamentos da editora e fazendo este contato com o público mais de perto. Foi um trabalho de formiguinha que começou com um foco institucional e que se transformou em uma bela operação de venda com o tempo e que rende belos frutos até hoje.

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