Outros papos

Published on agosto 29th, 2018 | by Ana

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Entrevista: Paola Aleksandra, criadora do ‘Livros e Fuxicos’ e autora de ‘Volte para mim’

De leitora a produtora de conteúdo sobre literatura a, finalmente, escritora. O caminho foi longo – apenas do segundo para o terceiro passo, quase sete anos. Mas tudo contribuiu para que a jovem Paola Aleksandra vivesse hoje o seu sonho, com a publicação recente de “Volte para mim”, o primeiro romance, que foi abraçado pela Editora Planeta.  Nesta entrevista – realizada pelo Cuida bem do meu livro, com diversas colaborações -, Paola diz que precisa ler para escrever: “sem a leitura, a escrita perde valor, sinceridade e até mesmo amor”. Mas, resenhar depois de ler um livro possivelmente contribui para que ela, além de redigir histórias, consiga vendê-las tão bem. Com quase 60 mil seguidores no Instagram, seu nome foi destaque durante a Bienal de São Paulo 2018 e ela já tem um contrato para uma segunda obra.

Mas o benefício de ler e resenhar muito não termina aí. O vício saudável tem proporcionado ainda ganhos com publicidade e acesso a ambientes fantásticos para ela. Em seu canal no Youtube, postou neste mês, por exemplo, sobre a experiência de presenciar na novela “Orgulho e paixão”, da Rede Globo, o casamento das personagens Elizabeta e Darcy, inspirados no livro (“Orgulho e preconceito”, de Jane Austen) mais relido por ela em toda a sua vida: “umas quatro vezes, se não me engano”. Também os famosos “recebidinhos” das blogueiras ajudam a compôr suas estantes de mais de mil livros – “talvez, entre esses, uns trezentos sem ler”, admite.

A partir do restante – ela diz já ter lido mais de 800 obras ao longo dos anos -, Paola já fez mais de 500 resenhas para o blog “Livros e Fuxicos”, no ar desde 2011. Agora será a vez dela ler opiniões sobre seus escritos. E claro, conceder entrevistas, como topou de pronto. Aqui ela fala sobre o processo de criação de “Volte para mim”, a construção do blog e o que podemos esperar para o seu segundo livro. 

O que você gostaria de ter ouvido quando começou a escrever “Volte para mim”, mas ninguém te falou? (Paula, do @lendoebooks)

“Escreva primeiro e revise só depois do texto descansar”. A verdade é que eu ouvi isso incontável vezes, mas teimosa como sou, precisa passar pelo processo de escrita para entender que: no momento da criação não é preciso se preocupar tanto com a revisão. A primeira metade do livro eu li umas cem vezes e, em cada uma delas, revisei o texto e modifiquei algo. Se eu tivesse escrito tudo, esperado uma semana ou até mesmo um mês, e só então embarcado na revisão sinto que teria poupado meu emocional naturalmente ansioso.

Por que o livro se passa na Escócia e como foi esse processo para ambientar toda uma história em outro país? Você já morou, visitou ou conhece alguém de lá? Ou foi mais na base da pesquisa mesmo, na internet, em filmes e livros? (Clara, do @alguemviumeusoculos)

Na realidade o livro se passa em Durham, uma cidade do interior da Inglaterra. Desde o início, eu sabia que a Brianna, minha protagonista, fugiria para a Escócia quando ainda fosse muito jovem. Então, para que a fuga tivesse um pingo de veracidade, procurei cidades com rotas rurais que levassem até a Escócia e foi nesse momento que descobri Durham. Nunca fui para a Europa, apesar de ser um sonho, então pesquisei muito sobre a região através da internet: imagens da cidade, vídeos no Youtube e até mesmo hashtags no Instagram. 

E os personagens, de onde vêm? Eles, de alguma forma, se relacionam com pessoas que você conhece? (Isabela, do @isa.le.lit)

Os personagens falaram comigo e, durante todo o livro, contaram no meu ouvido suas histórias – juro que na maioria das vezes me sinto apenas uma correspondente. Não sinto que eles representam pessoas que eu conheço, apesar deles trazerem muito do que vejo ao meu redor: sorriso fácil, amor pelo próximo, vontade de construir seu próprio futuro… Apenas a Malvina, irmã da Brianna, que sinto que traz muita referência da minha irmã mais nova. 

Você já criou situações em seus escritos que queria que realmente acontecessem? (Thattiani, do @entrelinhasecitacoes)

Imagine uma comunidade inteira reunida em uma Igreja, rezando pela cura de uma pessoa querida por todos. Na ponta da Igreja, uma vela ganha vida e então o fogo é passado de mão e mão, até que o ambiente todo sai da sombra e ganha vida e luz. É real, já vivi isso. E também é algo que a Brianna vive em um momento triste de sua jornada.

Qual foi a parte mais difícil de escrever na história? (Elaine e Thaís, do @Jornalizando)

O romance! Apesar de amar livros nesse estilo (fofo e apaixonante), confesso que durante a escrita de “Volte para Mim” a trama familiar ganhou vida e praticamente dominou a história – precisei, inúmeras vezes, lembrar aos personagens que a história deles – apesar de não girar em torno desse pilar – era um romance digno de final feliz, risos.

Mas, além de escritora, você é uma grande criadora de conteúdo na internet sobre literatura, com centenas de resenhas sobre livros disponíveis nas suas redes. A gente quer saber se por ter desempenhado antes estes outro papel você pretende acompanhar resenhas sobre o seu livro, e se sente mais preparada para possivelmente ler uma opinião negativa. Por outro lado, ser uma escritora agora te fez repensar, mudar ou evitar algo na sua atuação como blogueira? (@Cuida bem do meu livro)

Tenho muito respeito e cuidado ao falar de qualquer obra literária – e sempre passei a ideia de que a leitura é algo único e o que serviu para mim pode não agradar você ou vice e versa. E, agora como autora, essa atenção foi redobrada. Quando a gente escreve ou grava uma resenha – principalmente internacional -, esquece que o autor terá acesso a esse conteúdo e que o mesmo é uma pessoa como qualquer outra, com limitações, inseguranças e sonhos. Mas é bom lembrar que os autores estão atentos ao retorno de sua obra, que apreciam críticas construtivas, e que podem se magoar como qualquer outra pessoa ao encontrar resenhas que denigrem não apenas seu trabalho, mas um gênero e um estilo. 

Você criou o “Livros e Fuxicos” em 2011, muito antes desse boom de sites, canais e perfis literários. Hoje, você profissionalizou o seu hobby e vive do site. O que você acha que foi seu grande diferencial? A faculdade de Administração te ajudou a sempre encarar o site como um negócio? (@Cuidabemdomeulivro)

Na realidade, o que me ajudou na profissionalização do “Livros e Fuxicos”, que por sinal só aconteceu em 2015, foi encontrar pessoas abertas a conversar sobre o assunto. Pesquisei sobre como trabalhar com a internet e encontrei vários conteúdos de qualidade – eles me ajudaram a criar meu mídia kit e até mesmo a reformular a maneira de apresentar meus serviços. Além disso, tive o apoio de amigas blogueiras com quem pude debater, aprender e testar teorias de como tornar esse trabalho rentável e respeitável.

Sabemos que seu esposo, Manoel, trabalha com você no site. Conta para a gente, ele também lê bastante? Os livros que vocês gostam são diferentes? (@Cuidabemdomeulivro)

Acredita que o Manoel não gosta de ler? Risos. Ele já leu algumas indicações minhas e também participou ativamente da leitura inicial de “Volte para Mim”. Mas, apesar de me apoiar e de trabalhar com o “Livros e Fuxicos”, a verdade é que ler não faz parte da rotina dele. 

Se você tivesse que escolher entre ser leitora ou escritora, por qual das opções optaria para sempre? (Vi, do @vilivros)

UAU, coração chegou a parar de bater. Que bom que não preciso escolher! Risos. Caso fosse preciso, escolheria ler. A verdade é que precisamos ler para escrever; sem a leitura, a escrita perde valor, sinceridade e até mesmo amor.

Pois é, ainda bem que você não precisa escolher. Então, enquanto acompanhamos o “Livros e Fuxicos” com notícias de outras obras, o que você pode nos revelar sobre seu segundo livro? (@Cuidabemdomeulivro)

Tenho um ponto de partida, mas ainda estou na fase inicial da nova história: pesquisa de ambiente e construção de personagens. Ainda não posso revelar o cenário da trama, mas já adianto que será de época e abordará temas emocionantes e reais. Já fico na torcida para vocês gostarem! 

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2 Responses to Entrevista: Paola Aleksandra, criadora do ‘Livros e Fuxicos’ e autora de ‘Volte para mim’

  1. MUITO obrigada por essa oportunidade! AMEI AMEI AMEI ♥

    Espero que Volte para Mim conquiste seus corações.

    Beijos,

    Paola A.

  2. conceição Oliveira says:

    Que pena que não pude fazer a pergunta antes da entrevista. Estou lendo Volte para mim da Paola Aleksandra. História bonita, escrita em bom português, o que nem sempre acontece por aí.
    Gostaria de saber se ela usou uma licença poética, quando colocou Brianna como herdeira do ducado do pai.
    Na Inglaterra, os herdeiros dos títulos aristocráticos são sempre do sexo masculino. Se o detentor do título não tiver um filho homem, o título e o patrimônio vão para o parente mais próximo do sexo masculino.

    Isso fica claro inclusive na série Downton Abbey.

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