Livro em sete dias

Published on agosto 29th, 2018 | by Ana

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‘Um milhão de finais felizes’, de Vitor Martins

Nesta semana, li “Um milhão de finais felizes”, do Vitor Martins, autor já queridinho. Veja o que achei.

Sinopse: Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas. Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.

Julgamos o livro pelo título e pela capa: Eu amo muito os dois, mas confesso que o título me deu a impressão de que eu leria um livro mais constantemente fofo. Rs!

Sobre o autor: Eu já conhecia o Vitor, a partir da leitura de “Quinze dias”. Ele é um escritor sensível e cheio de referências pop. Aliás, temos resenha de seu primeiro romance aqui e o Vitor ainda nos deu uma entrevista na Semana do Orgulho LGBTQI (leia).

Protagonistas: Me identifiquei muito com a mania do Jonas de anotar ideias, em várias áreas da vida, e não dar prosseguimento. Falha nossa. Mas, além disso, me compadeci dele e só queria chacoalhar seus ombros a cada virada de página e dizer: “Ei, Deus te ama! Se o inferno existe, ele não é pra você!” e outras coisas do tipo. Pois Jonas é essencialmente bem e parece estar sempre tão disposto a amar as pessoas que sua preocupação sobre talvez sua orientação sexual desagradar os céus não é justa, de forma alguma.

Coadjuvantes: Alguns amigos viram a base para Jonas (sobre)viver e acredito que a nossa leitura, de certa forma, também. Um abraço para a Karina. Rs! Mas, apesar de não ser uma personagem divertida, o grande destaque do livro para mim é a mãe do Jonas: muito religiosa; envolvida em diversas ações de caridade; e ironicamente, incapaz de ser a força que seu filho precisa. O olhar de Jonas, no entanto, a humaniza como uma mulher equivocada e até vítima também.

Trama: Comparar “Quinze dias” e “Um milhão” foi inevitável para mim. Achei este novo livro um pouco mais arrastado e o romance menos envolvente. Talvez por no primeiro livro ter existido toda aquela overdose de convivência entre os personagens principais (para quem não sabe, Felipe hospeda seu crush, o Caio, em casa durante todo o período de férias escolares). Por outro lado, no novo livro, há um drama familiar muito maior e comum a tantos gays (sei disso, apesar de não ser meu lugar de fala): o Jonas vem de uma família que não o aceita. Conservadorismo, religião estão em debate, de um jeito muito sério e compromissado. Inclusive Jonas, por conta de sua formação, tem dúvidas sobre o futuro reservado a ele – até após a morte. Neste sentido, o livro, narrado em primeira pessoa, ganha um tom super emocional, que me deixou tensa e me fez derramar lágrimas no fim.

Dentro da história principal, o enredo sobre piratas gays é um pouco corrido e as poucas inserções impediram um maior apego meu aos personagens. Mas por vezes rendia um suspirinho. Afinal, como não se colocar no lugar de Tod ao encontrar um pirata, ruivo, desenhista e ainda leitor apaixonado?

Ponto forte: O discurso da mãe do Danilo, realista e esperançoso. Bônus: a aparição de um certo casal no café.

Um livro para: alimentar a empatia.

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